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A Ignorância

A Ignorância


Nenhum pensamento ou opinião é superior a outro.
Não há argumento, que não deva ser levado em consideração.
Não existe verdade absoluta. (a não ser que estritamente abstrata como é a matemática.)
O mundo é feito da junção dos diferentes pontos de vista.
Assume sua ignorância aquele que acredita saber tudo sobre qualquer tema.
Frente a Escuridão que se atire no mínimo a flecha flamejante da hipótese (se ela não acertar o alvo, pelo menos mostrará onde ele não está)


Só é possível saber de verdade quando se assume o risco da incerteza e se está disposto a questionar, não só os outros, mas principalmente a si mesmo.
A avalanche da soma das certezas das pessoas, não faz com que algo seja verdade por mais intransponível que isso as faça parecer.


Rodrigo Brasil

arte pra arquitetura e da arquitetura a arte

Quando era pequeno eu cogitei muito a possibilidade de tentar o vestibular para belas artes. Gostava muito de desenhar e ate tinha feito alguns cursos e aulas, minha tutora foi a Mônica Sartori, me ajudou muito a ver as coisas.

Sabe como é, parar e observar com cuidado. Desenhar e pintar é em sua maior parte isso, não sua habilidade de fazer e executar, não é saber desenhar e sim sua capacidade de olhar e guardar. A gente passa pelas coisas sem ver, está tudo ali, as coisas mais bonitas e as mais feias, mas é preciso saber ver, ter paciência de olhar com cuidado carinho.

Acho que é como se as coisas começassem com a fotografia. O que a fotografia se não a capacidade do fotografo de enquadrar, de separar do todo um pedaço especifico, sua capacidade de descobrir contrastes e tonalidades assim como formas onde as pessoas sem paciência só vêem o todo homogêneo e sem graça. Assim como acredito que o músico não é em geral sua capacidade de tocar, mas sua capacidade de escutar. Pode-se tocar com agilidade e técnica surpreendente, mas só uma pessoa que sabe escutar escolhe as notas e os momentos certos, que realmente comovem que fazem sentido.

Parece meio chato, eu sei, mas acredito que a maior parte das pessoas nunca parou pra realmente escutar uma música com cuidado, sabe quando ela é tão preciosa que você tem de escutar com a luz apagada para se concentrar e que seus pensamentos não podem te atrapalhar nem um milésimo de segundo senão você perde a seqüência perfeita da música.

Bom, mas continuando, eu não escolhi a belas artes, talvez receio, mas tinha muita vontade de fazer arquitetura também e foi isso que escolhi, e não me arrependo porque acredito que posso ser um artista sem fazer belas artes, assim como uma pessoa pode ser um ótimo arquiteto sem ter cursado a arquitetura. (É uma profissão que depende muito do bom senso e da sensibilidade e de ter visão espacial), no entanto, mesmo que por acaso tivesse estas características eu não poderia exercer arquitetura sem o diploma, daí então a tendência forte da minha escolha.

A verdade é que em geral o que eu vislumbrava como arquitetura era diferente do que se esperava pelos professores como arquitetura. Isso gerou muito debate que outro dia pretendo postar aqui, juro são debates interessantes e pertinentes, não sei se estava certo no que eu queria, mas os temas que foram colocados em discussão são polêmicos mesmo. mas o engraçado é que no final, bem lá na banca final mesmo uma das professoras, me disse algo bem interessante, não lembro as palavras exatas, mas primeiro ela revelou algo que eu suspeitava: me disse que era os professores procuravam me reprovar mas não acharam um ponto exato onde fazer isso. A outra revelação era própria dela, disse que se eu queria fazer algo diferente e extravagante como meus projetos não devia arriscar o dinheiro, nem a população como um todo os forçando a viver isso e sim tentar a belas artes onde eu envolvo o mínimo de pessoas possíveis. Acho que estas palavras me fazem um arquiteto um tanto fracassado do ponto de vista acadêmico, mesmo porque não consegui publicar minha pesquisa que envolvia os temas que eu acho mais verdadeiros, um dia posto sobre minha pesquisa aqui. A verdade é que as palavras dela me impulsionaram mesmo pra tentar a pintura acho que devo em parte a ela por me arriscar realmente no campo das belas artes, considerando que não desisti da arquitetura não, só tem sido difícil.

manisfesto sobre a arte

É engraçado pra mim o quanto não me adepto a arte, não que não goste de arte porque adoro, mas me recuso a considerar qualquer coisa como arte, me recuso a ter de aceitar qualquer coisa que me empurram como arte, pelo simples fato de não achar que devo aceitar de não achar que aquilo deva ser considerado arte mesmo não tendo um conceito forte para isso. E é só em relação a arte que eu acredito que o "ACHAR" é mais importante que todo o resto.


Porque a arte pra mim como espectador é a somatória de tudo que a obra pode me fazer sentir, perceber, é a forma como ela me envolve, como aquilo que vejo pode envolver minha alma roubar minha respiração. Para mim nos sentimentos não existe um padrão de conduta, você sente percebe, você percebe e você acha.


Claro, existem as pessoas que passam sem ver, que olham sem enxergar, em geral não por motivo social, cultural, ou econômico mas simples porque não querem ou não tem paciência de olhar com atenção. Não treinaram o seu olhar, ou simplesmente não se importam, assim como os que ouvem sem escutar. Porque no caso, o olhar é tudo, não é a foto que é magnífica, é o olhar do fotografo que tem sensibilidade suficiente para perceber o que outros não tem. Não é a maquina, não é a luz, não é a técnica, é o olhar dele que desvenda os sentimentos e núncias que estão ali e que a maior parte de nos não quer, ou não liga de ver. Ai ele tira a foto e podemos olhar pelos olhos dele com o enquadramento especifico. A foto é uma janela para o mundo que ele vive, para como ele enxergar o mundo, e o eu lírico dele é unânime, é também o nosso eu, por isso sentimos, por isso choramos quando um filme chora. Assim como quando lemos um poema o eu-lirico do poeta, não é o poeta é o "eu" simples e nos sentimos como o poeta na poesia, por isso sentimos ela. Porque o poeta foi assertivo em captar as sensações e sentimentos que envolvem o "Eu".


Mas o que percebo em geral na arte, e esta é minha opinião é que a maior parte dos quadros é muito mais vazia do que as paredes onde estão inseridos, são um desculpa do tipo: "olha não quero me comprometer com sentimentos e significados (tudo aquilo que seria arte) mas olha tenho uma obra de arte ai na parede. Esta vendo, não tem titulo, não tem significado não tem cores nem traços mas um nome assinado, como pode perceber uma genuína obra de arte.


Como o HundertWasser disse: "As pessoas estão mais preocupadas em identificar arte do que se identificar com a arte."



E a arte então é contemporânea, porque não é mais moderna, e não sei de onde tiramos que a arte precisa ser moderna para ser arte, arte é arte seja a 100 anos atrás ou 1000, o tempo é irrelevante pra mim, é indistinto a arte. Para mim o momento e o lugar ou quem a fez não fazem a menor diferença sobre ela ser bela ou não. A obra de arte é completa esta toda ali nela, não precisa de explicação um observador dedicado pode decifrar seus segredos mergulhando o olhar nela, porque como Klint, o quadro é cheio de significados está tudo ali.


Mas me parece que existe uma busca por algo que não é a arte na arte. Valoriza-se não o quadro, mas o conceito do artista, algo totalmente fora da arte. Quer dizer, o quadro pode ser literalmente uma porcaria se o conceito for bom, e ser bom significa ser diferente de todo o resto então temos uma boa obra de arte nos padrões gerais. Ex se o fulano resolve pintar um quadro usando seu excremento, porque (a desculpa) isso representa seu eu interior na forma mais densa e podre revelando a verdade crua do seu eu-lirico. Então aceitamos o fulano como artista porque ninguém mais fez isso, porque é diferente de tudo e tem uma explicação que podia ser essa ou qualquer outra, mas o quadro em si, não tem eu-lirico nenhum, não tem sentimento não tem nada é pura merda. E nos aceitamos e idolatramos a merda.

Ser Adulto

Acho que nos brincamos de "ser" e dificilmente somos de verdade, brincamos de ser advogados, chefes, publicitários, etc...porque vimos muitos filmes e histórias de todos estes personagens e talvez ser algo seja realmente brincar de ser algo. Acho que brincamos de ser adultos, e isso é estranho, talvez ninguém cresça de verdade.


Esta foi uma conversa de bar. Uma garota questionou que muitas pessoas não eram maduras, pois fazias coisas de criança, jogavam vídeo game, etc...e que ser adulto seria não ter mais nenhum dos seus objetivos de criança, seria ter um foco totalmente diferente do da sua infância na vida. Eu particularmente tenho que admitir que encontro na vida muitas desculpas exatamente pra fazer as coisas que eu mais gostava quando tinha 6 ou 8 anos, como desenhar, lutar espada, coisas do tipo.


Não sei o quanto fora da realidade eu possa estar, possivelmente muito, mas acho que brincamos de ser adultos. Os que brincam de ser, achando que estão fazendo algo sério, talvez sejam os que na verdade são mais infantis. Talvez sejam exatamente como a criança que em seus seis anos de idade da ordens de adulto para seu irmão de quatro anos de idade. Acho que vejo muitos adultos brincando com carros de brinquedo de verdade, ou brincando de Barbie com elas mesmas, ou pior brincando com algo que não tem a menor graça. É que toda criança se sente especial fazendo algo que se considera de adulto. Talvez ser adulto seja simplesmente ter consciência do quão criança realmente se é, e seja apenas isso.


Por um outro lado, estranhamente quando criança eu me interessava por muitas coisas que me interessam hoje, e o estranho pra mim é que me interessavam antes. Eu me lembro de muito novo ficar fascinado por filmes como “O império do Sol” (minha opinião ainda hoje o melhor filme do Spielberg, intenso, triste), “O Senhor das Moscas” (que tem uma mensagem tão questionadora sobre a bondade humana e as organizações sociais). É estranho, e discuti isso com o Vitor, mas acho que a gente não evolui, tipo deixa de gostar de coisas que gostávamos quando criança quando crescemos ou adquirimos certos conhecimentos. Ele levantou dois pontos importantes, que é o sexo, que depois que conhecemos muda nossa visão de mundo, e sobre se identificar com as histórias. Eu acho que é um misto, quer dizer, nosso foco é um, sendo criança ou adulto e à medida que crescemos e ampliamos nossa percepção através das experiências e conhecimento ampliamos o volume do circulo em volta deste centro como um tipo de espiral, mas estamos sempre voltados para este mesmo objetivo que não esta fora, mas dentro de nos de alguma forma.

Ignorância

"As pessoas que queimam livros são as mesmas que queimam pessoas"

Acho que a verdadeira ignorância, não está em não saber, mas na arrogância de quem se nega a ver. A verdade, diferente do que queremos crer, não é fixa, é necessário lutar pela verdade todo o tempo, é necessário buscar a verdade. Acredito que nada que está escrito (alem da matemática) deva ser considerado como inquestionável, e também acredito que nenhuma opinião, por mais simples que seja,nunca não deva ser levada em consideração principalmente quando humilde.


Eu ouvi passando na rua duas pessoas conversando um dia, e a frase que um deles disse ficou marcada pra mim, era: "Só os burros tem certezas das coisas". Eu concordo e gosto das pessoas que usam "eu acho que" antes das frases, porque faz crer que existe um mundo de possibilidades ali e que o mundo é sempre uma percepção ingênua.


Eu acho que a humanidade não muda muito, e que certas pessoas seriam queimadas hoje pelas suas idéias. Elas não são queimadas porque somos mais civilizados, somos sempre as mesmas pessoas, só que segundo as leias (graças a Deus)* é um tanto mais chato queimar pessoas publicamente, o que dificulta a vida de muitas pessoas, não de todas. Como não é possível queimá-las, fazemos o que as cadeias fazem, banimos elas de nossas vistas e ouvidos, as exilamos. Existem prisões que não necessitam de muros, e podem ser muito mais cruéis que qualquer penitenciaria. (Quem tem um pouco de empatia pode perceber isso na maior parte dos círculos acadêmicos)


Porque a ignorância não é não saber que a Terra é redonda, nos, em geral, não o sabemos de verdade nos cremos, porque não podemos realmente ver ela redonda (Existe grande fé na Ciência). A ignorância é a arrogância de quem não quer questionar se ela é redonda ou não e está disposto a queimar quem quer demonstrar que ela é quadrada.


Muitas pessoas preferem matar outras à admitir que estão erradas. O mal verdadeiro reina no Ego por algum motivo que não tenho certeza.